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terça-feira, 6 de abril de 2010

PAULINA CHIZIANE

A escritora moçambicana Paulina Chiziane nasceu a 4 de Junho de 1955, em Manjacaze, província de Gaza, e cresceu nos subúrbios da cidade de Maputo onde fez os seus estudos. Frequentou o curso de Linguística na Universidade Eduardo Mondlane sem ter, porém, concluído. Iniciou a sua actividade literária em 1984, publicando contos na imprensa moçambicana.

Contadora de histórias, arte que aprendeu com a sua avó.
Paulina convida-nos à cumplicidade de histórias que versam sobre as vivências de tempos difíceis, a esperança, o amor, a mulher e África. O debate entre a tradição e a modernidade que a autora soube transferir da oralidade para o papel.
A sua colaboração com a Cruz Vermelha de Moçambique, contribuiu para uma aproximação mais concreta à realidade vivida no país, o que também se reflecte na sua escrita.

Com o seu primeiro livro, Balada de Amor ao Vento, editado pela autora em 1990, tornou-se a primeira mulher moçambicana a publicar um romance. Ventos do Apocalipse (1993), O Sétimo Juramento (2000) e Niketche: Uma História de Poligamia (2002), O Alegre Canto da Perdiz (2008) são romances da autora.

Nos últimos anos Paulina viveu e trabalhou na Zambézia. Actualmente tem colaborado com diversas organizações em diferentes províncias de Moçambique e no estrangeiro.

Ei-la:
Dizem que eu sou romancista e que fui a primeira mulher moçambicana a escrever um romnce Balada do Amor ao Vento, 1990, mas eu afirmo: sou contadora de estótias e não romancista. Escrevo livros com muitas estórias, estórias grandes e pequenas. Inspiro-me nos contos a volta da foguieira, minha primeira escola de arte.


OBRAS EDITADAS
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Balada de Amor ao Vento
1.ª Edição, 1990. Maputo, Ndjira 2003.

Esta obra retrata, desde a juventude à idade madura, o cenário em que a Sarnau e o Mwando, protagonistas desta eloquente estória de amor, percorrem os dias, os meses, os anos, os encontros e os desencontros, a dolorosa separação, o desespero, o sofrimento, a alegria, as lágrimas e os sorrisos, numa atmósfera que nos envolve e, nos comove.
«Tu foste para mim vida, angústia, pesadelo. Cantei para ti baladas de amor ao vento. Eras para mim o mar e eu o teu sal. No abismo, não encontrei a tua mão
Mas haverá um reencontro? Serão Sarnau e Mwando capazes de apagar um tão longo e trágico passado? Existirá ainda para eles um futuro a partilhar?
Voltarás a conseguir esboçar no rosto o teu lindo sorriso, há muito perdido no tempo?
Abrirás enfim os braços para neles abrigares o amor? Ouvirás a melodia que o vento espalha no universo?
Adaptado da contracapa.
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Ventos do Apocalipse
Edição do autor, 1993; edição da Caminho, 1999.
1.ª edição da Ndjira, 2006.

Guerra, destruição, miséria, sofrimento, humilhação, ódio, superstição, morte. Este é o cenário dantesco, boscheano, que encontramos nas páginas deste romance. A escritora consegue levar-nos ao âmago do mais baixo dos mais baixos degraus de degradação do ser humano.
Paulina Chiziane consegue levar-nos ao âmago do mais baixo dos mais baixos degraus de degradação do ser humano. Com ela percorremos as vinte e uma noites de pesadelo e tormentos que foi o êxodo dos sobreviventes de uma aldeia.

«Se o homem é a imagem de Deus, então Deus é um refugiado de guerra, magro e com o ventre farto de fome. Deus tem este nosso aspecto nojento, tem a cor negra da lama e não toma banho à semelhança de nós outros, condenados da terra. O Diabo, sim, esse deve ser um janota que segura os freios da vida dos homens que sucumbem.»
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O Sétimo Juramento

Maputo, 1.ª edição, 2000; 4.ª edição, 2009; Ndjira.

A perplexidade de David vai-se tornando nossa, à medida que mergulhamos no mundo fantástico que Paulina Chiziane nos oferece. Um mundo de feitiços e tabús, de mágia negra e fantasia, de sonhos e de pesadelos, de luz e de trevas. Um mundo de contrastes e contradições, em que as forças do bem e do mal travam uma luta contínua e titânica.
«A vida é como a água, nunca esquece o seu caminho.
A água vai para o céu mas volta a cair na terra.
Vai para o subterrâneo mas volta á superficie.
A vida é um eterno ir e voltar. O corpo é apenas uma carcaça onde a alma constrói a sua morada...»




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Niketche
Uma História de Poligamia
Maputo, 1.ª edição, 2002; 6.ª edição, 2009; Ndjira

Casada com Tony há vinte anos, Rami descobre que o marido tem várias mulheres em outras regiões de Moçambique.
O seu casamento, de «papel passado» e aliança no dedo, resume-se afinal a um irónico drama de que ela é apenas uma das personagens. Numa procura febril, Rami obriga-se a conhecer «as outras». O seu marido é um polígamo!
Na via dolorosa que então começa, séculos de tradição e de costumes, a crueldade da vida e as diferenças abissais de cultura entre o norte e o sul da terra que é sua, esmagam-na. E só a sabedoria infinita que o sofrimento provoca lhe vai apontando o rumo num labirinto de emoções, de revelações, de contradições e perigosas ambiguidades.
Niketche, é uma dança de amor e erotismo, é um espelho em que nos vemos e revemos, mas no qual, seguramente, só alguns de nós admitirão reflectir-se.

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O Alegre Canto da Perdiz
Maputo, Ndjira, 1.ª edição, 2008.

Delfina é uma mulher bonita, «uma negra daquelas que os brancos gostam». A história de vida desta Delfina, «dos contrates, dos conflitos, das confusões e contradições», é a história da mulher africana, a história da apocalíptica perda do sonho. Esta mulher debate-se entre «escolher o caminho do sofrimento», o amor que sente por José dos Montes, e eliminar a sua raça para ganhar a liberdade», procurando o homem branco que lhe dará o alimento e o conforto que deseja. Mas o que é o amor para a mulher negra? Na terra onde as mulheres se casam por encomenda na adolescência? O problema arrasta-se ao longo do livro, aparentemente sem solução: «viver em dois mundos é o mesmo que viver em dois corpos, não se pode. Tu és negra, jamais serás branca». Mesmo assim a mulher negra «procura um filho mulato, para aliviar o negro da sua pele como quem alivia as roupas de luto».O sufoco das palavras outrora silenciadas, a valentia e a frontalidade gritam alto nos romances de Paulina Chiziane. Neste diálogo consigo própria, a conhecida escritora moçambicana, mistura imaginação, fantástico, misticismo, num retrato poderoso e peculiar da sociedade e da mulher africanas.

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PRÉMIOS
Prémio José Craveirinha de 2003, pela obra romance Niketche.
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Confira ainda as fotos da Paulina Chiziane em conversa com jornalistas à proposito de suas obras.




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